segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Os grandes criadores de 45, que retomam e fecundam as experiências desenvolvidas no país:

  • Prosa: João Guimarães Rosa e Clarice Lispector
  • Poesia: João Cabral de Melo Neto
      João Guimarães Rosa: Narrativas mitopoéticas que resgatam a sutileza do elo entre a fala e o texto literário. Estrou com Sagarana(1946), que renova o conto brasileiro. Trata-se de um conjunto de sagas-históricas de aventura, de amor, de mistério que universalizam e fecundam de vida, humanidade, os confins do sertão.

      Clarice Lispector: Romances e contos introspectivos que dialogam com as fronteiras do indizível. Em 1944, Clarice estrou na literatura brasileira com Perto do coração selvagem, romance que causou estranheza à critica, pela novidade que trazia: a rarefação do enredo, da ação, abrindo espaço ao mergulho nas profundezas do subconsciente, à sondagem do mundo interior.

      João Cabral de Melo Neto: Poesia que associa compromisso social e precisão arquitetônica, substativa. Quando o leitor é confrontado com a poesia de Cabral percebe-se, a principio, de um certo número de algumas dualidades antitéticas, trabalhadas com um certo barroquismo e à exaustão. Entre espaço e tempo, entre o dentro e o fora, entre o maciço e o não-maciço... Entre o masculino e o feminino, entre o Nordeste desértico e a Andaluzia fértil, ou entre a Caatinga desértica e o Úmindo Pernambuco. É uma poesia que causa algum estranhamento a quem espera uma poesia emotiva, posto que seu trabalho é basicamente cerebral e "sensacionista", buscando uma poesia contrutivista e comunicativa, objetiva. Embora exista uma tendência surrealista em seus poemas, principalmente nos iniciais, como em Pedra do Sono(1942), buscando uma poesia que fosse também expressiva, Melo Neto não precisa recorrer ao pathos ("paixão") para criar uma atmosfera poética, fugindo do qualquer tendência romântica, mas busca uma contrução elaborada e pensada da liguagem e do dizer da sua poesia, transformando toda a percepção em imagem de algo concreto e relacionado aos sentidos, principalmente ao do tato.
Fatos históricos importantes do período:
  • Retorno de Getúlio Vargas à presidência (1951 - 1954)
  • Mandato de Juscelino Kubitschek (1956 - 1960)
  • Fundação de Brasília, nova capital política do país (1960)
  • Jânio QUadros na presidência (1961)
  • João Goulart na presidência (1961 - março de 1964)

Principais características da Terceira Geração Modernista Brasileira, a geração de 45:

  • Retrocesso em relação às conquistas de 1922.
  • Volta ao passado: revalorização da rima, da métrica, do vocabilário erudito e das referências mitológicas.
  • Passadismo, academiscismo.
  • Introdução de uma nova cultura internacional nas letras brasileiras.
Terceira Geração Modernista Brasileira
(1945 - 1978)

Com a transformação do cenário sócio-político do Brasil, a literatura também transformou-se. O fim da Era Vargas, a ascensão e queda do Populismo, a Ditadura Militar, e o contexto da Guerra Fria, foram, portanto, de grande influência na Terceira Fase.
Na Prosa, tanto no romance quanto no conto, houve a busca de uma literatura intimista, de sondagem psicológica e introspectiva, tendo como destaque Clarice Lispector. O regionalismo, ao mesmo tempo, ganha uma nova dimensão com a recriação dos costumes e da fala sertaneja com Guimarães Rosa, penetrando fundo na psicologia do jagunço do Brasil central. A pesquisa da linguagem foi um traço caracteristico dos autores citados, sendo eles chamados de intrumentalistas.